CONCCEPAR 2009

Marcador ANAIS DO III CONCCEPAR



A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DAS VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM


INTRODUÇÃO

O trabalho com a Variação Linguística em sala de aula não é algo simples, pois não são todos os professores que tem consciência da importância desse fenômeno no ensino da Língua Padrão na qual é cobrada pela sociedade. Diante disso se percebe a necessidade de estudos mais amplos sobre esse tema e as possíveis metodologias de ensino, para que o professor tenha uma base para poder trabalhar. Neste sentido, o objetivo da sociolingüística é relacionar a heterogeneidade linguística com a heterogeneidade social, pois a língua e sociedade estão entrelaçadas, e uma influência a outra, uma constrói a outra. De acordo com Bagno (2007, p.38,): “Para a sociolinguísta, é impossível estudar a língua sem estudar, ao mesmo tempo, a sociedade em que essa língua é falada...”. Portanto a presente comunicação busca elucidar essa problemática no processo de ensino/aprendizagem, tendo como base teórica, os pressupostos da Sociolingüística e as inter-relações dos diversos sujeitos em sala de aula e na sociedade.


MATERIAL E METODOLOGIA

Os métodos utilizados para a realização dessa pesquisa até o presente momento foram: o método hipotético dedutivo, que irá auxiliar no levantamento das hipóteses para solucionar o problema, dando base para a pesquisa. Neste sentido, Lakatos (1991) atesta que a observação não é feita no vácuo, tem papel decisivo na ciência. Mas toda observação é precedida por um problema, uma hipótese, enfim algo teórico. A observação é ativa e seletiva, tendo como critério de seleção as “expectativas inatas”. (p.97). Dessa forma as hipóteses serão elementos norteadores do processo que desencadearão as buscas pelas evidências da situação problema. Outro método que poderá nos auxiliar é o histórico, Lakatos (1991) coloca que esse método consiste em; (...) investigar acontecimentos, processos e instituições do passado para verificar a influência na sociedade de hoje, pois as instituições alcançaram sua forma atual através de alterações de suas partes componentes, ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto cultural particular de cada época (p. 107). Este método auxiliará na busca de um referencial durante as pesquisas sobre o processo histórico da Variação Linguística e as influências da mesma no processo de ensino.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

O resultado das leituras realizadas até o momento mostra que a Língua Portuguesa não é uniforme, mas sim constituída por muitas variedades que são marcadas pelo meio rurais e urbanas, pois nosso país é constituído de uma gama de culturas muito grande e que formou o chamado Português Não Padrão (PNP). O professor, no processo de aquisição e aperfeiçoamento da escrita de seus alunos, deve atuar como um orientador, auxiliando os mesmos a sanar suas dúvidas de duas formas, conforme Sérkez e Martins (1996), perguntando para o professor ou pesquisando em dicionários. Isso só é possível no processo de produção, momento em que esse o aluno poderá praticar essas ações. E para que isso aconteça é necessário uma inter-ação entre ambos como afirma Koch (2006) “(...) a conversação é, antes de tudo, um ato social no interior das situações sociais que são modificadas ou mesmo constituídas através desses atos.” (p.124), conforme as situações do dia-a-dia exercemos papéis diferentes sendo a mesma pessoa. Koch (2006) argumenta que: “É preciso pensar a linguagem humana como lugar de interação, de constituição da identidades, de representação de papéis de negociação de sentidos, portanto, de co-enunciação” (p.128), ou seja é necessário que a linguagem deixe de ser vista como uma representação do mundo ou como uma maneira de se comunicar, ela deve ser vista sim como uma maneira de inter-ação social.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, pode-se dizer que, o professor das séries iniciais, bem como o de Língua Portuguesa, além de ensinar os conteúdos, deve ensinar o valor da língua e da escrita, para seus alunos, especialmente àqueles que vêm de famílias e comunidades mais carentes. A língua oral em sala de aula tem que garantir atividades sistemáticas de fala, escuta, escrita e reflexão sobre a língua, valorizando a língua trazida pelo aluno, de suas comunidades, mostrando como eles podem utilizar a linguagem, tanto falada como escrita de variadas formas, para uma melhor interação. Diante disso, percebe-se que o trabalho com a linguagem se constitui como algo complexo tanto em sala de aula como na sociedade, pois requer do educador uma postura metodológica que vai além do “certo” e do “errado”, superando os preconceitos lingüísticos que imperam no âmbito da sociedade e que tem seu reflexo na sala de aula. Portanto, o professor nesta nova perspectiva metodológica assume o papel de mediador e de problematizador, tornando o aluno sujeito de sua ação por meio da linguagem, pois ao mesmo tempo em que instrumentaliza o aluno com o passaporte da variação padrão da língua não perde de vista as complexas relações que a mesma impõe para os indivíduos, como afirma Bakhtin (1999, p. 36) o domínio da ideologia coincide com o domínio dos signos, uma vez que a palavra é o fenômeno ideológico por excelência , ela é o modo mais puro e sensível de relação social.


ÁREA DO CONHECIMENTO

Ciências Humanas


PALAVRAS CHAVE

Variação Linguística; Sociolinguística; Ensino.


DAIELE FLORES RIBEIRO; DEVALCIR LEONARDO


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